Quando Meu Coração Calar

“Quando Meu Coração Calar” narra a saga de uma família portuguesa no Brasil dos séculos XVIII e XIX. A história acompanha a trajetória de Heliodora em meio às disputas pelo poder, à resistência das comunidades oprimidas e à luta das mulheres por autonomia.
Sua vida começa durante uma tumultuada travessia do Atlântico, num galeão que transporta mercadorias, passageiros, pessoas escravizadas, prostitutas e degredados. Nascida em meio a uma tempestade, Heliodora sobrevive graças à intervenção de Tiata, uma parteira escravizada.
Após a chegada ao Brasil, a família portuguesa depara-se com uma sociedade colonial profundamente marcada pelas desigualdades, pelas disputas de poder e pela desconfiança religiosa. Entre os cristãos-novos já estabelecidos na colônia, o acolhimento é atravessado pela prudência de quem conhece os riscos da perseguição inquisitorial, enquanto interesses econômicos e rivalidades locais agravam as dificuldades dos recém-chegados. As sucessivas adversidades conduzem o patriarca à ruína. É nesse ambiente de injustiças e contradições que Heliodora amadurece, questionando as convenções de seu tempo e assumindo papel decisivo na recuperação dos negócios e na defesa das terras da família. Sob sua liderança, a Fazenda Fortuna prospera na agricultura e transforma-se num espaço de acolhimento para famílias negras, que participam ativamente de sua administração, de seu desenvolvimento e de sua proteção, numa experiência singular de convivência e solidariedade em pleno Brasil escravocrata.
Pai Tenório, Terêncio e Berenice desempenham papéis fundamentais na organização dessa comunidade e na resistência às ameaças que cercam a fazenda. Personagens indígenas também participam dos conflitos e das alianças, defendendo seus territórios e trazendo à narrativa a história dos povos que habitavam essas terras antes da colonização.
À medida que a Coroa portuguesa fortalece seu controle sobre o Brasil, Heliodora enfrenta autoridades e interesses locais que pretendem tomar suas terras. O Doutor Raposo, um advogado corrupto, utiliza manobras jurídicas para favorecer os poderosos, ameaçando a estabilidade da Fortuna e desencadeando confrontos que colocam em risco o futuro de toda a comunidade.
A rivalidade com Maria Mourão, conhecida como Maria Canguçu, amplia os conflitos. Marcada por perdas e lutas próprias, Maria torna-se uma adversária de grande força. O confronto entre as duas revela os desafios enfrentados por mulheres que procuram exercer poder numa sociedade que lhes impõe submissão.
Em meio às disputas, dois padres defendem os oprimidos e suas tradições culturais. Agindo discretamente, enfrentam os interesses das autoridades eclesiásticas e procuram conter a violência entre famílias influentes, guiados pelo compromisso com a fé e com a dignidade humana.
A trajetória dessa família portuguesa se entrelaça aos destinos das comunidades negras e indígenas com as quais constrói sua vida no Brasil. A defesa da Fazenda Fortuna passa a representar também a luta pelo direito à terra, à liberdade e à construção de um futuro comum.
O livro foi adaptado para uma minissérie de oito capítulos, com lançamento previsto para outubro de 2026.
Assista o trailer.
Torre de Papel

A Torre de Papel é uma biografia romantizada ambientada em Ouro Preto, que acompanha a formação íntima de um menino atravessado precocemente por fé, trabalho, silêncio e responsabilidade. Kevin cresce no bairro do Rosário entre a rigidez das tradições, a religiosidade automática da vizinhança e a força silenciosa da mãe, Maria da Conceição. Desde cedo, percebe que sua maneira de olhar o mundo não se ajusta ao modelo que lhe é imposto.
No alto da torre da igreja, onde assume ainda criança a função de sineiro, Kevin encontra um território simbólico de consciência. Entre telhas antigas, madeira envelhecida e o peso do sino, passa a observar a vida do bairro à distância: violências ocultas, desejos censurados, pactos morais e pequenas virtudes que resistem no cotidiano duro. O sino organiza o tempo dos outros, enquanto sua infância se dissolve sob o peso do amadurecimento.
Fora da torre, a realidade impõe trabalho, obediência, conflitos com a fé herdada, descobertas do corpo e inquietações sobre identidade, desejo e pertencimento. A convivência com o padre Simões, figura de autoridade ambígua, intensifica seus questionamentos sobre poder, religião e moral. O que era certeza se fragmenta.
À medida que cresce, a torre deixa de ser refúgio e se transforma em espelho. O olhar elevado passa a exigir escolhas e rupturas. Entre memória, conflito e resistência, A Torre de Papel constrói o retrato de uma formação humana marcada pela tensão entre fé e liberdade, tradição e consciência.
Beatrice de Valdieri

Roma, meados do século XIX. Beatrice di Valdieri, jovem de linhagem respeitada, ingressa no convento de Sant’Ambrogio della Massima em busca de recomposição espiritual. Mas o que encontra ali é um mundo onde a obediência ultrapassa a fé, onde gestos cotidianos ganham contornos de vigilância, e onde a alma — e o corpo — tornam-se terreno de disputa.
Dentro dos muros, segredos circulam em sussurros, castigos se disfarçam de virtude e alianças se formam longe dos olhos da Igreja oficial. Uma princesa enclausurada sem motivo claro, uma madre vicária que domina consciências com suavidade cortante e um homem de fora — enigmático, calculista — que fornece textos proibidos à sombra das noites romanas, transformam o convento em palco de forças invisíveis.
Beatrice, sensível à violência silenciosa do lugar, percebe que algo mais profundo está em jogo: a erosão da identidade, o controle dos desejos, o uso da fé como instrumento de poder. À medida que enfrenta rituais, enfermidades, disputas internas e verdades que ninguém ousa nomear, ela se vê dividida entre os votos que fez e a lucidez que tenta preservar.
Inspirado em fatos documentados do caso Sant’Ambrogio — tema do estudo histórico de Hubert Wolf — este romance revela com precisão e humanidade o cotidiano fechado de uma instituição onde pureza e corrupção caminham lado a lado. Beatrice di Valdieri é a jornada de uma mulher confrontada com forças maiores do que ela, num ambiente onde nada é o que parece, e onde a maior batalha é não ser apagada.
Filme completo - 143 minutos:
https://www.youtube.com/watch?v=5u_uGkrRQ4I&t=5772s
Abominação

Em ABOMINAÇÃO, o autor constrói uma narrativa ficcional de intensa força dramática, ambientada no período dos primeiros encontros entre os povos originários do Brasil e os navegadores portugueses. Dois mundos, separados por crenças, costumes e concepções da existência, confrontam-se num processo que transformaria profundamente a história de ambos os lados do Atlântico. Dessa colisão emerge uma tragédia humana que não se limita ao sofrimento dos conquistados, mas alcança também aqueles que, integrando as forças da conquista, se descobrem prisioneiros das determinações políticas, religiosas e militares de seu próprio tempo.
A narrativa desenvolve-se em torno de duas mulheres separadas pela origem, pela cultura e pelo destino, mas progressivamente unidas pelas contradições e pela violência da história.
Anahí, jovem tupiniquim, curiosa e de espírito livre, representa a ligação ancestral de seu povo com a terra, as águas, a floresta e as forças espirituais que orientam sua existência. Seu olhar ainda marcado pela inocência testemunha acontecimentos que ultrapassam sua compreensão: a chegada das caravelas, as cruzes erguidas diante do mar, o surgimento de enfermidades desconhecidas e a desestruturação progressiva dos costumes, das crenças e dos vínculos que sustentam sua comunidade. Aquilo que inicialmente desperta curiosidade transforma-se numa experiência devastadora de perdas, submissão e resistência.
Isaura, jovem pertencente à nobreza lisboeta, educada sob os rígidos princípios religiosos e sociais de sua condição, é enviada contra a própria vontade para participar da missão de instruir e converter indígenas capturados. A bordo das embarcações portuguesas, descobre-se prisioneira de uma missão que não escolheu e cujas determinações não pode simplesmente contrariar. Ao receber a incumbência de vestir, educar e converter Anahí, começa a perceber as contradições entre a caridade proclamada pela religião e a violência praticada em seu nome.
Sua condição revela uma dimensão menos evidente da tragédia colonial: o sofrimento daqueles que, embora pertencentes ao universo dos conquistadores, não necessariamente compartilhavam a crueldade ou os propósitos de seus comandantes. Entre eles, indivíduos de maior sensibilidade moral podiam reconhecer as injustiças cometidas contra os povos submetidos e, ainda assim, encontrar-se obrigados a participar de ações planejadas e determinadas pelas autoridades da época. A desobediência poderia representar perseguições, punições, desonra, perda de posição social e outras formas de retaliação. Para essas consciências, o conflito não se travava apenas diante do inimigo ou de uma terra desconhecida, mas no território íntimo da própria dignidade, entre aquilo que lhes ordenavam fazer e aquilo que julgavam moralmente aceitável.
Entre Anahí e Isaura ergue-se, portanto, um abismo que ultrapassa as diferenças de origem e de cultura. De um lado, a jovem indígena enfrenta a ameaça à existência de seu povo, à liberdade e às tradições herdadas de seus ancestrais. De outro, a portuguesa descobre que a sociedade da qual provém, embora se proclame civilizada e cristã, também submete seus próprios integrantes a mecanismos de obediência, coerção e silêncio.
As duas experimentam formas profundamente distintas de opressão, sem que a narrativa procure equiparar a violência sofrida pelos povos conquistados aos conflitos morais daqueles que participavam da conquista. A desigualdade entre dominadores e dominados permanece evidente. Contudo, o romance reconhece que a brutalidade de um sistema de poder também pode atingir as consciências daqueles que, por obrigação, medo ou impossibilidade de resistência, se tornam instrumentos de suas determinações.
À medida que Isaura questiona os dogmas que orientaram sua formação e Anahí procura preservar a dignidade e a memória de seu povo, estabelece-se entre elas uma relação marcada por conflitos, descobertas e reconhecimento mútuo. A jovem portuguesa começa a compreender as limitações de sua própria liberdade, enquanto a indígena encontra, na resistência, uma expressão da força ancestral que a violência colonial não consegue extinguir.
A convivência entre ambas transforma-se, gradualmente, num confronto de consciências. Isaura percebe que a fé, quando submetida aos interesses do poder, pode afastar-se profundamente dos princípios de compaixão e humanidade que afirma defender. Anahí, por sua vez, descobre que nem todos os estrangeiros que participam da conquista são movidos pelas mesmas convicções, embora essa percepção não diminua a violência que recai sobre sua gente.
ABOMINAÇÃO investiga, assim, as contradições da condição humana, os mecanismos de dominação, os conflitos entre fé e poder, a submissão das mulheres às convenções sociais e as consequências morais de uma época em que a expansão territorial, os interesses econômicos e a evangelização frequentemente se confundiam.
Mais do que estabelecer uma oposição simplista entre conquistadores e conquistados, o romance procura compreender a complexidade das relações humanas diante da autoridade, da intolerância e da violência institucionalizada. Revela que a conquista de novos territórios não significava necessariamente a conquista da liberdade individual e que, por trás dos grandes acontecimentos históricos, existiam homens e mulheres cujas consciências eram frequentemente submetidas a provações tão profundas quanto silenciosas.
Uma obra de ficção histórica que utiliza a liberdade literária para refletir sobre as origens da sociedade brasileira, sobre o sofrimento daqueles que perderam suas terras e sua autonomia e sobre os dilemas daqueles que, mesmo integrando o universo dos conquistadores, se recusavam intimamente a aceitar a desumanidade praticada em nome de uma civilização, de uma Coroa ou de uma fé.
Nota sobre a nova edição
Ecos da Liberdade

Em “Ecos da Liberdade”, a saga épica da família protagonista, iniciada no século XVIII e avançando pelo século XIX, alcança novos patamares em uma narrativa envolvente que entrelaça ficção e realidade histórica. Esta sequência independente, embora enriquecida pelo legado do primeiro livro, abre um novo capítulo que pode ser plenamente apreciado por novos leitores e fãs de longa data.
A história gira em torno de duas Heliodoras - tia e sobrinha-neta - mulheres de fibra e visionárias de sua época, cada uma lutando contra as convenções sociais e estabelecendo um império rural sem precedentes. A primeira Heliodora, personagem central do livro anterior, é uma figura de resistência e determinação, que, partindo do nada, ergueu um império e pavimentou o caminho para gerações futuras. Sua história é uma de coragem e persistência, desafiando as estruturas sociais de seu tempo e defendendo a abolição da escravidão.
A narrativa então se desdobra na vida de sua sobrinha-neta, também chamada Heliodora, herdeira deste legado monumental. Ambientada no auge da Revolução Industrial, esta nova Heliodora é uma mulher à frente de seu tempo, navegando pelas complexidades de um mundo em rápida mudança. Ela não apenas tem que administrar e expandir o império deixado pela sua antecessora, mas também enfrentar desafios inéditos, moldados pelas transformações sociais e tecnológicas da era.
“Ecos da Liberdade” é uma jornada de autoconhecimento, conflito interior e perseverança. O livro é uma trama rica de eventos históricos, reviravoltas surpreendentes e uma profunda exploração das lutas e triunfos das mulheres. Ao mesmo tempo, oferece uma visão perspicaz sobre a luta pela liberdade e igualdade, temas que ecoam através das gerações.
Este romance histórico, cheio de detalhes autênticos e personagens memoráveis, é uma celebração da força feminina e do espírito indomável, capturando a essência de uma era de grandes mudanças e o impacto duradouro das escolhas feitas por estas mulheres extraordinárias.
Paradoxo - A 42ª Extração

Esta obra de ficção, meticulosamente construída com elementos históricos e mitológicos, mergulha profundamente nos arquivos da humanidade, explorando registros que precedem até mesmo os textos bíblicos. Ancorada na linguagem cuneiforme, um dos mais antigos sistemas de escrita conhecidos, o romance revela verdades ocultas em textos ancestrais. A narrativa coloca em destaque as tabuletas mesopotâmicas, descobertas no século XIX e meticulosamente conservadas pelo Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia. Uma dessas tabuletas, designada CDS52168 e intitulada “Criação do Homem”, proporciona uma perspectiva única sobre os primórdios da humanidade, tecendo conexões com as narrativas bíblicas.
Incentivam-se os leitores a explorarem esses artefatos históricos, disponíveis no portal do museu, para enriquecer sua experiência de leitura e aprofundar a compreensão do contexto narrativo. O livro transporta sua audiência para uma era remota, há 450 mil anos, narrando a chegada de seres extraterrestres à Terra com a missão de extrair minerais. A trama se desenrola em torno da criação da raça adâmica por meio de engenharia genética, enfatizando a busca por servos dedicados por parte destes seres.
As inscrições milenares nas tabuletas de argila formam o pano de fundo da história, detalhando a evolução humana e eventos significativos que moldaram o planeta Terra e a existência humana tal como a conhecemos. O livro analisa as diversas interpretações desses registros ao longo da história, realçando como estes podem ter sido distorcidos ou usados para manipular e influenciar as massas.
Embora a obra se fundamente em aspectos históricos e mitológicos, é primordial ressaltar seu caráter ficcional. A trama convida os leitores a questionarem suas próprias crenças e a confrontarem os enigmas da existência humana, desdobrando uma história intricada que questiona as origens, o propósito e o destino da humanidade.
O Circo Desbotado (ilustrado / colorido)

“O Circo Desbotado” é uma obra literária que imerge o leitor no encantador, porém agridoce, universo do circo. O autor, nesta notável obra, conduz-nos por uma exploração detalhada e introspectiva do mundo circense, revelando a beleza transitória e as complexidades desta arte tradicional. A narrativa nos introduz a uma companhia de circo, com a qual o autor compartilhou experiências significativas, observando intimamente a lenta desvanecimento de sua era gloriosa.
Este livro desdobra-se através das experiências vibrantes, mas frequentemente desafiantes, dos artistas e funcionários do circo. Cada personagem é habilmente desenvolvido, possuindo uma história pessoal de luta, aspirações e desilusões, criando um retrato dinâmico tanto do espetáculo quanto da realidade que se esconde por trás das cortinas. Com uma habilidade narrativa excepcional, o autor captura os altos e baixos emocionais vividos pelos integrantes da trupe, proporcionando uma visão genuína das alegrias e adversidades do cotidiano circense.
No coração do livro jaz a temática da persistência da esperança, mesmo diante do declínio inescapável. O autor destaca a resiliência e o espírito inquebrantável dos artistas, que persistem em fascinar e inspirar, apesar dos obstáculos. “O Circo Desbotado” transcende uma simples homenagem ao circo, oferecendo uma reflexão profunda sobre a condição humana, a habilidade de superar desafios e a incansável procura por beleza e significado em um mundo em constante transformação.
Curador de Almas

Na serena, porém isolada, São Domingos da década de 70, uma inquietante sombra se insinua sobre a cidade, alimentando-se das facetas mais sombrias da natureza humana. Surge então a figura enigmática do Padre Beraldo, apelidado de “Curador de Almas”, que se posiciona como baluarte contra as entidades obscuras que atormentam a comunidade. Enfrentando o ocaso de sua existência, o ancião sacerdote se depara com a urgente necessidade de designar um sucessor.
Este sucessor enfrentará a árdua missão de confrontar as entidades malignas que ameaçam engolir a cidade. A busca transcende a simples seleção de um novo líder espiritual, desdobrando-se em uma odisseia por territórios desconhecidos, onde o sobrenatural se entrelaça com o cotidiano.
À medida que o Padre Beraldo penetra os mistérios das almas atormentadas, ele percebe que as verdadeiras batalhas transcorrem não só nos arredores da cidade, mas também nas profundezas ocultas do ser humano. Figuras diversas, carregando seus próprios espectros internos, se encontram em destinos cruzados, enquanto se deparam com desafios que questionam as noções convencionais de bem e mal, em uma corrida contra o tempo implacável.
Ambientado em São Domingos, “Curador de Almas” é uma obra literária cativante, que explora as complexidades da fé, redenção e sacrifício humano. Conforme o Padre Beraldo busca seu herdeiro espiritual, a cidade é compelida a enfrentar suas próprias sombras internas. A trama se desenvolve para além dos horizontes da compreensão humana, entrelaçando o destino da cidade e de suas almas em um intricado ballet entre luz e escuridão.
Sítio do Picapau Amarelo - Reinações de Narizinho Vol. 1

EDIÇÃO DE LUXO - COLORIDA - CAPA DURA - PAPEL ESPECIAL
Monteiro Lobato criou, em O Sítio do Picapau Amarelo, um dos universos mais ricos, inventivos e duradouros da literatura infantil brasileira. Esta edição apresenta uma organização criteriosa da publicação original do autor, preservando integralmente o texto, a linguagem, o ritmo narrativo e a força literária que marcaram gerações de leitores.
A obra reúne as histórias clássicas do Sítio em uma estrutura editorial cuidadosamente organizada, respeitando a cronologia, o estilo e o espírito criativo de Monteiro Lobato, sem cortes, adaptações ou reescritas. A edição é magistralmente ilustrada, com imagens que dialogam com o imaginário do texto, ampliando a experiência estética e estimulando a imaginação do leitor sem interferir no conteúdo literário.
Pensada também para o ambiente educacional, esta publicação inclui, ao final do volume, um Apêndice de Contextualização Histórica e Linguística, destinado a orientar professores, pais e alunos na leitura dirigida. O material auxilia a compreensão da linguagem de época, dos costumes e das referências culturais presentes na obra, facilitando seu uso em sala de aula e projetos pedagógicos, sempre com absoluto respeito à integridade do texto original.
Trata-se de uma edição que une fidelidade ao autor, excelência gráfica e apoio didático, mantendo vivo um clássico essencial da formação leitora no Brasil.
Sítio do Picapau Amarelo - Reinações de Narizinho Vol. 1

EDIÇÃO MAIS ACESSÍVEL - ILustrações e Preto e Branco - CAPA DURA
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Pensada também para o ambiente educacional, esta publicação inclui, ao final do volume, um Apêndice de Contextualização Histórica e Linguística, destinado a orientar professores, pais e alunos na leitura dirigida. O material auxilia a compreensão da linguagem de época, dos costumes e das referências culturais presentes na obra, facilitando seu uso em sala de aula e projetos pedagógicos, sempre com absoluto respeito à integridade do texto original.
Trata-se de uma edição que une fidelidade ao autor, excelência gráfica e apoio didático, mantendo vivo um clássico essencial da formação leitora no Brasil.
Escrevendo Com Força Literária

Este livro nasce de uma inquietação: o risco de o autor desaparecer em uma época em que a inteligência artificial já escreve com correção, organiza com eficiência e entrega textos tecnicamente perfeitos — porém sem memória, sem dor, sem ética, sem experiência humana. A IA é ferramenta poderosa e útil, mas não vive, não sofre, não pesquisa com propósito, não assume responsabilidade estética nem moral. Ela auxilia; não substitui o escritor. Aqui, não se trata de demonizar a tecnologia, mas de colocá-la em seu devido lugar: a máquina como apoio, o humano como consciência criadora.
Este livro vai além de defender autoria. Ele revela o segredo para construir romances com força literária verdadeira, robustez de narrativa e consistência estrutural. Aqui está o caminho para desenvolver histórias capazes de resistir às mais rigorosas críticas literárias — obras que não se “geram”, mas se edificam com estudo, pesquisa, verossimilhança histórica, verdade emocional, densidade narrativa e reescrita consciente. A partir do processo criativo de Beatrice di Valdieri, comprova-se que literatura não é produto automático: é construção humana.
Esta obra esclarece, orienta e ensina. Mais do que técnicas, apresenta postura ética: não delegar a alma do texto a sistemas automáticos. Ela mostra o processo invisível, o trabalho silencioso, a disciplina intelectual e emocional que sustentam uma escrita viva, consistente e profundamente humana.
Porque um livro só é livro quando existe alguém dentro dele. E enquanto houver autores que escrevem de verdade, a literatura continuará sendo território humano.
Dez Contos - Série 1 (ilustrado / colorido)

É com imenso prazer que apresento “Dez Contos”, uma coleção singular que transcende as fronteiras do ordinário, oferecendo um vislumbre de mundos que se estendem além do real. Esta compilação não é mera ficção; ela representa fragmentos de realidades alternativas, onde o impossível se manifesta em possibilidades inimagináveis.
A criação destes contos foi motivada por um desejo profundo não só de entreter, mas também de incitar reflexões críticas e profundas sobre aspectos intrínsecos da experiência humana — vida, amor, medos e alegrias. Cada história é cuidadosamente criada com o intuito de provocar o pensador e sensibilizar o leitor, promovendo uma introspecção sobre a complexidade da natureza humana e suas emoções.
“Dez Contos” é mais do que uma leitura; é um convite a embarcar numa jornada extraordinária. Convidamos você, leitor, a suspender a incredulidade e permitir-se ser transportado para dimensões onde a realidade se mistura com o fantástico de maneiras surpreendentes e inovadoras. Estas estórias são pontes para mundos onde as leis da física e da lógica são reinventadas, proporcionando uma experiência de leitura única e enriquecedora.
Além do esplendor descritivo, esta coleção é uma publicação de luxo, concebida para enriquecer não apenas o intelecto, mas também o espaço físico de leitura. Cada elemento deste livro foi meticulosamente selecionado para garantir uma experiência estética e sensorial sem igual, complementando a imersão proporcionada pelas histórias.
É com grande satisfação que compartilho “Dez Contos”, esperando sinceramente que cada história traga tanto prazer e inspiração ao leitor quanto me trouxe durante o processo de criação. Esta coleção é um tributo à grande capacidade da imaginação humana e à incessante busca por compreender e explorar o infindável espectro da experiência humana.
Boa leitura.
Senhor Hans

“Senhor Hans” apresenta uma mistura habilidosa de realidade e ficção, originando-se de manuscritos datilografados em uma Olivetti portátil de 1987. Nessa época, eu dividia um apartamento com o respeitado jornalista Silvio Bastos Kuster, colega de trabalho do jovem Ocimar de Almeida. Este romance policial, uma preciosidade da era pré-digital, é uma história envolvente, repleta de complexidades.
A trama se desdobra em um bairro marcado pela presença de imigrantes europeus, um lugar repleto de história e charme. Inspirando-me em um casal de alemães, meus vizinhos na infância, que eram na realidade a personificação de bondade e encanto, eles ganham papéis intrigantes e multifacetados na obra. Terezinha Godoy, Vicente Gomes, Shirley Xavier e Walter Paço, todos residentes da Rua de Cima e do Largo do Rosário, identificarão o casal que inspirou esta obra, a quem dedico com carinho. Originalmente começando como um conto longo e irregular, digitado com papel carbono, estou reformulando-o em uma rica história de ficção policial.
O pano de fundo dos acontecimentos é minha adolescência, enriquecida pelas fascinantes histórias da guerra de 1945, contadas pelo pai de meu amigo de infância, Marco Aurelio Amaral, um correspondente de guerra. Essas memórias são a base para uma trama imaginativa e cheia de fantasia, onde relatos de guerra se fundem com a vida diária dos meus vizinhos alemães. As histórias, ouvidas com grande interesse numa pequena sala que hoje faz parte do hotel Solar do Rosário, foram fundamentais na criação de um cenário que desafia a linha entre a realidade e a fantasia.
“Senhor Hans” vai além de ser um mero romance policial; é uma viagem através da nostalgia e da imaginação, desafiando o leitor a distinguir a verdade por trás das memórias e as sombras da guerra, enquanto desvenda um mistério que atravessa gerações. Este livro é uma forma de homenagear conhecidos e amigos, utilizando um estilo de criação ficcional único, como se eu convidasse as pessoas, das quais empresto características, para participarem de um teatro de realidades alternativas.
O Músico e a Bailarina

O conto “O Músico e a Bailarina” é uma narrativa envolvente que explora temas de mudança, perda, saudade e reencontro através da história de Virgínia, uma jovem que enfrenta a difícil tarefa de se despedir de sua antiga vida ao mudar-se com sua família para uma casa nova e moderna. A mudança simboliza não apenas a transição física de um lugar para outro, mas também a passagem da infância para uma nova fase da vida, marcada por desafios e descobertas.
A história começa com a venda da antiga residência da família Duarte na Rua das Flores, impulsionada pelo desejo dos pais de Virgínia de buscar um novo começo em um ambiente que reflete o progresso e o conforto contemporâneos. Virgínia, contudo, é tomada pela tristeza ao deixar para trás suas raízes, amigos e memórias afetivas, especialmente ligadas a suas caixinhas de música, presentes de sua avó, que representam sua conexão com o passado e a inocência da infância.
A narrativa se aprofunda na jornada emocional de Virgínia, que luta para adaptar-se à nova vida, sentindo-se isolada e deslocada em seu novo ambiente. Sua saudade e resistência à mudança são simbolizadas pela relação que mantém com suas caixinhas de música, especialmente após sua mãe, Dona Gertrudes, descartar uma delas, exacerbando seu sentimento de perda.
O conto ganha uma dimensão mágica quando, numa reviravolta fantástica, os personagens das caixinhas de música, George, o músico, e Patrícia, a bailarina, são trazidos à vida, embarcando em suas próprias aventuras que espelham temas de busca, identidade e realização pessoal. Essa fantasia entrelaça a realidade de Virgínia com um mundo de possibilidades, onde a música e a dança servem como metáforas para a expressão da alma e a superação de adversidades.
O clímax da história ocorre em um emocionante reencontro dos personagens no palco, simbolizando a união entre sonho e realidade, e destacando a importância da arte como veículo de conexão e expressão. Esse momento mágico não apenas reconcilia Virgínia com suas perdas, mas também lhe oferece uma nova perspectiva sobre as mudanças e o valor das memórias e relações humanas.
Finalmente, o conto conclui com uma nota de otimismo e renovação, quando Virgínia desperta para encontrar suas caixinhas de música restauradas, e sua mãe organiza um reencontro com seus amigos de infância. Esses eventos simbolizam a promessa de novos começos e a certeza de que, apesar das mudanças, o amor, a amizade e a beleza podem ser redescobertos e preservados.
“O Músico e a Bailarina” é um conto rico em emoção e simbolismo, que fala ao coração com sua mensagem sobre a capacidade de encontrar luz e esperança mesmo diante das despedidas e da saudade, celebrando a resiliência do espírito humano e o poder transformador da arte. O Músico e a Bailarina é história de dois bonecos de caixinha musicais.
Código Jericó

Em um mundo onde o passado guarda segredos capazes de alterar o futuro, "Código Jericó" se apresenta como uma obra de ficção eletrizante que entrelaça mistério, intriga e a incessante busca pela verdade. Este livro convida seus leitores a mergulhar na vida de Ethan Carter, um músico sem sucesso em Nova York, cuja vida toma um rumo inesperado ao se mudar para a casa de seu bisavô após ser despejado por falta de pagamento da hipoteca.
A residência, cheia de memórias e mistérios, esconde mais do que poeira e lembranças antigas. Com a ajuda de seu jovem vizinho, Peter, e da mãe do garoto, Laura, uma viúva cuja força e inteligência os guiarão através dos perigos que estão por vir, Ethan descobre um objeto extraordinário entre os pertences deixados por seu bisavô: o Elemento Um, uma flauta ancestral com o poder de mover e destruir objetos através de sua frequência única.
"Código Jericó" desvela uma sociedade secreta dedicada a proteger a Nota Fundamental - uma força sonora capaz de modificar a gravidade em torno de objetos, permitindo a levitação, o movimento ou até mesmo o colapso de massas. Este grupo detém o Elemento Dois, que, se combinado com a flauta encontrada por Ethan, poderia liberar forças suficientes para alterar as batalhas como as conhecemos, ou pior, levar à destruição da Terra.
Conforme Ethan, Laura e Peter se aprofundam no mistério, uma pergunta os persegue: como a flauta acabou entre os pertences do velho Carter, o bisavô de Ethan, e qual é a verdadeira extensão de seu poder? Sua jornada os levará a confrontar perigos inimagináveis, traições e a possibilidade de um novo amanhecer... ou de um apocalipse indizível.
Para aqueles fascinados por histórias que combinam elementos de ficção científica com teorias conspiratórias, e que gostam de ser levados a um mundo onde o limite entre o possível e o impossível é constantemente desafiado, "Código Jericó" promete ser uma adição inesquecível à sua coleção.
Prepare-se para uma aventura que não apenas questiona a história como a conhecemos, também explora o poder indomável da música, da ciência e da humanidade unida contra as forças que buscam controlar o incontrolável. "Código Jericó" é mais do que um livro; é um portal para um universo onde a nota certa pode mudar tudo.
A Vila do Fim do Mundo

Este livro é o reflexo de uma insanidade peculiar, daquelas que só aflora quando se abandona o frenesi sufocante das gran-des cidades e se rende à quietude desconcertante de uma vila es-quecida, encravada nas serras. Um lugar de poucas ruas e ainda menos explicações, onde o tempo parece suspenso em sua pró-pria teia, e a realidade dissolve-se em camadas de surrealidade que perturbam, corrompem e seduzem.
Em todas as direções o silêncio não é vazio; ele murmura segredos antigos, e cada dia afeta a mente como uma brisa inqui-eta, carregando pensamentos desconexos que se entrelaçam em devaneios e espirais de loucura. O resultado é esta história: um mosaico de fragmentos oníricos e absurdos, onde a razão não encontra guarida.
Não espere coerência, pois ela foi exilada deste lugar. Não busque lucidez, pois ela se perdeu entre as curvas sinuosas das montanhas. Este é um convite para explorar um mundo onde o absurdo é imperador e a normalidade se dissolve como neblina ao amanhecer. Se decidir avançar, saiba que o normal ficou do lado de fora — junto com o que chamamos de senso.
Boa leitura. Ou boa loucura.
Pedro, o Diabo e a Santa

Este livro é um fragmento literário singular, uma verdadeira crônica do absurdo histórico, em que a invenção não mente — apenas exagera, com humor ácido, sátira inteligente e uma ironia deliciosamente divertida.
Ambientada entre a velha Cidade de Goiás (Vila Boa) e o nascimento da nova capital, Goiânia, a narrativa mistura fatos, mitos e lorotas como quem mexe um caldeirão fervendo de história e imaginação. O Diabo, personagem recorrente e sagaz, infiltra-se nas tipografias, nas sacristias e nos gabinetes, soprando boatos, entortando letras e se deliciando com a confusão humana — enquanto Pedro Ludovico, médicos e políticos, arquitetos e beatas, engenheiros e quitandeiras disputam espaço entre fé, pólvora e modernidade.
A trama percorre pontes rangendo, mercados fervilhantes, sermões inflamados e mapas geométricos, revelando uma Goiânia nascendo entre lama, luz elétrica vacilante e sonhos traçados a compasso — tudo sob o olhar zombeteiro do tinhoso e a presença silenciosa da enigmática Mulher de Azul.
Com linguagem viva, ritmo envolvente e um estilo que oscila entre o épico satírico e a crônica pitoresca, a obra oferece uma leitura prazerosa e crítica: uma cidade nasce, mas os vícios, as crenças e os demônios são os mesmos — apenas mudam de endereço.